Conserto e manutenção
Perdi um brinco do par: é possível fazer outro igual?

É um dos pedidos mais frequentes da nossa bancada, e quase sempre chega com a mesma frase: "sobrou só um". Um brinco que era da avó. O par que você ganhou quando nasceu e usou a vida inteira. Um dia, um deles simplesmente não estava mais lá — e o que ficou virou uma peça que você não usa, mas também não consegue se desfazer. A resposta curta é sim: com a peça que sobrou nas mãos, dá para refazer a que faltou.
Por que a peça original é tudo
Refazer uma joia a partir de uma foto é adivinhação. Refazer a partir da peça é engenharia reversa. Com o brinco que sobrou na mão, o ourives mede o que nenhuma imagem entrega: espessura exata do fio, diâmetro interno, peso em gramas, altura do engaste, ângulo da garra, o tipo de fecho e até a marca de ferramenta de quem fez o original. Tudo isso é copiado para a peça nova.
É por isso que o primeiro pedido é sempre o mesmo: não descarte o que sobrou. Ele é o molde, a medida e a referência de acabamento.
Como o par é refeito, passo a passo
- Você manda fotos da peça no WhatsApp e a gente diz na hora se é viável e em que faixa de valor.
- A peça vem para a bancada e é medida, pesada e fotografada em detalhe.
- O ourives reproduz a estrutura em ouro, à mão, seguindo as medidas da original.
- Engaste, fecho e acabamento são feitos igualando a peça de referência.
- As duas são polidas juntas, para que envelhecimento e brilho fiquem no mesmo tom.
- Você recebe fotos das duas lado a lado antes da devolução.
A peça nova fica idêntica mesmo?
A intenção é que, no uso, ninguém consiga dizer qual é qual — e é isso que acontece na maior parte dos casos. Vale ser honesto sobre os limites: uma joia com décadas de uso tem marcas que o tempo fez, e o polimento conjunto aproxima as duas, mas não copia arranhão por arranhão. Em peças com pedra, a diferença possível está na pedra: encontrar uma gêmea em cor, tamanho e corte depende do que existe no mercado. A gente mostra as opções antes de engastar.
O que dá para refazer a partir de uma peça só
- Brincos — o caso mais comum, de argola simples a peça com pedra e engaste trabalhado.
- Alianças — quando uma do par se perdeu e você quer a dupla completa de novo.
- Anéis e pingentes de família — cópia fiel para dar a um filho ou irmã, mantendo o original intacto.
- Peças de coleção antiga — quando não existe mais quem fabrique aquele modelo.
Quanto custa e quanto tempo leva
Depende do peso de ouro da peça nova, da complexidade do desenho e de haver pedra ou não. Uma argola lisa é rápida; um brinco com filigrana e engaste de pedra leva vários dias de bancada. O orçamento definitivo sai depois do exame da peça original, e nada é executado antes da sua aprovação. Se você não aprovar, a peça volta exatamente como chegou.
No fim, o que a gente devolve não é uma peça parecida. É o par de volta — e uma joia que estava parada na gaveta voltando para a orelha de quem gosta dela.
Ficou com dúvida sobre a sua peça?
Manda uma foto no WhatsApp. A avaliação inicial é gratuita e quem responde é o ourives que vai executar o serviço.
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Sobre quem escreveu
Luís Nogueira é ourives há cerca de 30 anos e terceira geração de uma família que trabalha com joias desde os anos 1980, em Campinas/SP. Hoje é responsável pela bancada da Luís Nogueira Joias, a ourivesaria que deu origem à Luís Nogueira Joias.


